Já virou clichê dizer que as conferências do clima nunca alcançam o objetivo desejado. A COP-17 (17ª Conferência das Partes da Convenção do Clima das Nações Unidas), que começou nesta segunda-feira sob o signo da crise econômica, deve romper esse padrão: nela, o próprio objetivo foi diluído.
Os diplomatas de 190 países que se reúnem até 10 de dezembro em Durban, na África do Sul, não perseguem mais um acordo global contra emissões de gases-estufa. O que está em jogo é a continuidade ou não do acordo que existe hoje, o pífio Protocolo de Kyoto.
Para a diplomacia brasileira, a reunião terá sido um sucesso se as nações desenvolvidas concordarem em prolongar a vida do protocolo até 2020. E um fracasso em Durban traria um ônus extra para o Brasil, que sediará a próxima conferência ambiental da ONU, a Rio +20.
Kyoto, assinado em 1997, previa que os países industrializados cortassem suas emissões em 5,2% em relação a 1990 até 2012. Como se sabe, os EUA ficaram de fora, e o acordo teve impacto virtualmente nulo sobre a concentração global de gases-estufa na atmosfera, que cresceu 7% de 1997 a 2011.
Não há acordo sobre o tipo de regime que possa ampliar o combate às emissões de carbono depois que ele expirar.
"Se deixarmos morrer Kyoto, o consenso é que não se vai mais conseguir um acordo desse tipo", disse o embaixador André Corrêa do Lago, negociador-chefe do Brasil na área de clima.
FOLHA.COM - Claudio Angelo